Incubo banner


Jul
21st
Wed
permalink

Interruptus

Farewell

Inspira. Calma, é a nicotina. Expira. É o cansaço. Inspira. É o trampo. Expira. Será que já deu? Não se esquece de expirar. Ou inspirar. De se inspirar. Mesmo expirado. O quê?

– Me fode…

Então implora.

– Me fode. Mete fundo seu pau em mim. Me bota de quatro e me come com força.

Ainda não. Ainda não. Não, não vai até o fundo. Respira. Ainda não é hora. Nessa embarcamos juntos. Então ou descemos juntos ou andamos até os confins dos brônquios. Com sorte até as últimas gotas do alvéolo. No final não nos contentamos com menos do que uma rajada de pequenas mortes. 

– Meu homem. Meu macho!

Inspira. Perfume caro. Ela quer. Ela sabe o que quer. Ela quer que eu a coma de quatro. Que a faça minha. Expira inspira. Ajoelha. Vem. Pronto! Sentiu? Sente. Sentiu? Então grita pra mim, minha putinha!

– Me fodendo. Ah! Você tá me fodendo!

Rebola. Isso. Ela sabe. Ela sabe. Ela inspira. Eu locomotivo. Não deixo escapar suas ancas. Vem. Vem. Vem. Isso. Assim.

– Eu vou gozar! Eu vou gozar!

Goza. Goza! Mais um pouco. Vamos juntos. Estamos juntos! Agora. Isso. Isso! Agora. Sai daqui, porra de gato! Não! Não, não, não! Merda. Merda! Não vai. Passou. Perdi. Já foi. Já era. Só meio gozo. Só metade. Fico preso na porta do trem, meio pra lá, meio pra cá. Ela se afasta. Olha pra mim. No rosto um sorriso. Um sorriso tão aberto que fecha os olhos. Um sorriso de um gozo e meio. Ela desce. Eu me movo. A parte de cá presa na de lá, que parte. Ela fica. Me manda um beijo e me dá as costas.

Expira. 

Comments (View)
blog comments powered by Disqus